Carnaval 1988

Como se Bebe Nessa Terra...!

Posição de desfile: 8ª Agremiação a desfilar

Colocação: 5ª Colocada do Grupo 2 com 204,0 pontos.

Data do desfile: 13/02/1988 - Sábado.

Local: Passarela do Samba.

Presidente: José Colagrossi Neto (Juca Colagrossi)

Carnavalesco: Luiz Fernando Reis.

Samba Enredo:

(versão estúdio)

Autores: Mocinho, Dito Fuguete, Quinha e Zezé do Cavaco
Intérprete: Quinzinho

Navegando com destino às Índias ía Cabral
Deitando e rolando no vinho do Porto
Terra vista, uma voz se ouviu

Foi um gajo de porre que a descobriu

De mata a dentro bandeirante pé inchado
Na aldeia, índio pinguço, origem do meu passado
A bagaceira endoidou o imperador
Independência então proclamou

A Candinha espalhou
Que, embriagado, J. Q. renunciou
A imprensa divulgou
Quem fez o vira copos no ministro se inspirou


Amor, o bom tempo já era; refrigerante dá samba
E na lourinha que meu povo busca inspiração
Dei um beijo na branquinha; não liguei a burguesia
Bebo para ter motivação

Já tomei a saideira vou tirar o meu da reta
Não vou ficar de bobeira
Feliz desponta Santa Cruz
Cheia de alegria e carinho que seduz

Se não queres mais beber
Não perca a sua esperança
Siga o exemplo das crianças


Sinopse de enredo

Desenvolvimento:

1ª PARTE – INTRODUÇÃO

Como se bebe nessa terra, e verdadeira mente se bebe. Seja no bar, boteco ou tendinha, biroscas ou requintados salões, em casa, entre amigos ou mesmo sozinho.

Bebemos no samba, no pagode, durante o dia, à tarde e à noite, entre petiscos, durante o almoço ou jantar, até mesmo sem nada pra beliscar, verdadeiramente bebemos.

Alguns bebem bem, outros exageram, poucos não bebem, uns bebem socialmente outros anarquicamente. E porque se bebe? Se bebe na alegria, comemorando e na tristeza, lamentando; no frio, pra esquentar e no calor, pra refrescar, ou seja, sempre encontramos razões para beber. Nós, por exemplo, beberemos pra descontrair nosso desfile, beberemos comemorando nosso excelente desempenho e, por fim, festejando nossa vitória e ascensão ao 1º grupo, bebendo.

Isso mesmo, nós queremos, podemos e seremos os vencedores desse carnaval. Já é hora de reassumirmos nosso lugar no desfile principal, brigarmos de igual para igual com as “grandes”, porque também somos “grande”, principalmente na vontade de vencer.

Vamos lá SANTA CRUZ, nós queremos, podemos e vamos ganhar esse carnaval para que, juntos, possamos gritar bem alto em 1988...

Como se bebe nessa terra - de Santa Cruz, na comemoração do nosso campeonato.

2ª PARTE – HISTÓRICO

2.1 – COMO SE BEBEU NA HISTÓRIA...

Sempre aprendemos que fugindo das calmarias Cabral, acidentalmente, nos descobriu. Alguns historiadores, no entanto crêem na intencionalidade dessa descoberta; nós, porém, colocaremos um ponto final nessa polêmica.

Cabral errou o caminho das Índias por estar completamente embriagado, tanto ele quanto os marujos e foi vinho a viagem toda: vinho verde, vinho tinto, branco e do Porto.

Como se bebeu nessa viagem... Por cá os índios também bebiam seu cauim, bebida obtida da fermentação de frutas e mandioca. Não será difícil, portanto, imaginarmos esse encontro etílico: portugueses e nativos alcoolicamente apresentados.

..E o tempo foi passando. Os bandeirantes bebiam antes de suas incursões mata adentro. D. Pedro I, nosso imperador, sempre foi chegado tabernas e cantinas, especialmente à noite. No último baile do Império o porre foi tão grande que, ressaqueados, os monarquistas tornaram-se presa fácil aos republicanos. E, mais recentemente, nosso expresidente Janio Quadros: “Bebo porque é líquido, se fosse sólido eu comia” e batizou a pinga de “Forças Ocultas”, responsabilizando-a por sua renúncia. Em São Paulo comentase que o aeroporto de Viracopos seria uma homenagem ao ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen

E vai por aí... Como se bebeu na História...

2.2 – COMO SE BEBEU NOS ANOS DOURADOS

Melindrosas e almofadinhas, nos anos 30, bebiam nas leiterias, confeitarias, cervejarias e cafés. Vinhos, cervejas e licores eram servidos nas mesas e balcões de ébano e mármore.

Bons tempos aqueles da Galeria Cruzeiro, do Café Nice, da velha Colombo, da Leiteria Boi, dos bondes, ceroulas e espartilhos, e como se bebia bem naquela época...

Anos 60, duas bebidas viram moda: o “Cuba-Libre” e o “Hi-Fi”, respectivamente Coca-cola com rum, gelo e limão e suco de laranja com gim. É dessa época também o “samba em Berlim”, cachaça com Coca-cola e era assim que a juventude se animava nas festinhas, bem diferente de hoje.

2.3 – E O QUE SE BEBE NESSA TERRA?

Bem, por aqui se bebe de tudo, desde a simples, humilde e popular cachaça até o caro e sofisticado uísque importado, escocês legítimo, passando pela cerveja, pelo chope, rum, vodka, gim, vinho e por aí vai. O interessante é que a bebida é um referencial social, senão vejamos:

a) Nas categorias mais humildes e carentes a bebida oficial é a cachaça, a pura, a branquinha e também a loura suada – a cerveja – se bem que em menor escala.

b) Na classe média a bebida oficial é a cerveja e o chope, sendo crescente, também, o consumo de vinho tinto e branco.

c) Na burguesia são o uísque e o vinho importado, o tinto francês e o branco alemão as bebidas mais apreciadas.

Por tudo isso poderíamos até nos arriscar a afirmar: “Dize-me o que bebes que tedirei quem és”. Sem mais, falemos um pouco dessas bebidas.

1- CACHAÇA – É a bebida oficial do brasileiro. É consumida de norte a sul tendo sido até batizada regionalmente. Vejamos alguns de seus apelidos: abrideira, aça, aço, água benta, água de cana, água que passarinho não bebe, aguardente, arrebenta-peito, azulzinha, bicha, birita, branca, branquinha, cana, caninha, danada, dengosa, que matou o guarda, gororoba, guampa, homeopatia, imaculada, malvada, marafo, moça branca, parati, perigosa, pinga, remédio, sinhazinha, suco de cana, tiquira, tome-juízo, zuninga, e muito mais. Se, para a enfraquecermos, lhe adicionamos suco de frutas, criamos as gostosíssimas batidas, das quais o mel e o limão se destacam. É consumida preferencialmente em biroscas, botecos e tendinhas, bares e lanchonetes.

2- CERVEJA – É a bebida da sambista, a loura suada, refrescante no calor, aconchegante no inverno, que tem no chope seu irmão mais velho. É consumida em todo o país, em todas as camadas sociais. “Solta uma estupidamente gelada...!”

3- VINHO – É a bebida do inverno, é o suco alcoólico da uva; branco ou tinto sempre cai bem. É consumido principalmente no sul do país em bares e cantinas.

4- VODKA – De origem russa, é bastante apreciada pela classe média alta.

5- UÍSQUE – É a bebida da burguesia, dos granfinos, das luxuosas e requintadas reuniões. É de origem escocesa.

2.4 – GARÇONS, BÊBADOS E BOÊMIOS

Beber é bom, mas quando se exagera, haja paciência... E dizem que “... de bêbado não tem dono”. A coisa é tão boa que até carro já bebe álcool, e paga caro. Os velhos já alquebrados pelo tempo descobriram a catuaba que, dizem, levanta tudo, até cadáver.

Lembremos também os boêmios, intelectuais da madrugada, que resolvem etilicamente todos os problemas do país, e os garçons, pobres garçons, nos servem atenciosamente naquele vai e vem e ainda nos aturam quando embriagamos.

2.5 – LIÇÃO DE CRIANÇA

O álcool não faz bem, é caro, provoca uma tremenda ressaca e ainda assim bebemos. Certas estão as crianças.

“Perdoai-nos, eles não sabem o que bebem!”

2.6 – CONCLUSÃO

É isso, gente de Santa Cruz, sem nos deixarmos embriagar pelo sucesso, vamos ganhar esse carnaval.

Nós podemos, queremos e vamos ganhar.

Ficha Técnica
Componentes: 2000
Alas: 24
Alegorias: 5
Presidente: José Colagrossi Neto (Juca Colagrossi)
Carnavalesco: Luiz Fernando Reis
Autor(es) do enredo: Luiz Fernando Reis
Autores do samba: Mocinho, Dito Fuguete, Quinha e Zezé do Cavaco
Intérprete: Quinzinho
Diretor de Harmonia: Zé Carlos
Diretor de Bateria: Áureo Cordeiro Ramos (Mestre Áureo)
Diretor de Tamborins: Assis
Rainha de Bateria: Diana Burle
Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Nome do Mestre-Sala: Periquito
Nome da Porta-Bandeira: Helena

Vídeo do Desfile