Carnaval 1990

Os Heróis da Resistência

Posição de desfile: 2ª Agremiação a desfilar.

Colocação: 15ª Colocada do Grupo Especial com 507 pontos.

Data do desfile: 25/02/1991 - Domingo.

Local: Passarela do Samba.

Presidente: José Colagrossi Neto (Juca Colagrossi)

Carnavalesco: José Felix.

Samba-Enredo:

(versão estúdio)


(versão ao vivo)

Compositores: Zé Carlos, Carlos Henri, Carlinhos de Pilares, Doda, Mocinho e Luis Sérgio
Intérprete: Carlos Miguel Marques (Carlinhos de Pilares)

Oh! Divina luz que nos conduz
Com bom humor e irreverência
Hoje ninguém vai nos "gripar"
Somos os heróis da resistência
Vamos "pasquinar", recordar
Sorrir sem censura
Botar a boca no mundo, buscar bem fundo
Sem a tal da ditadura

Soltavam as bruxas, o pau comia
De golpe em golpe, quanta covardia!


Venha com a gente, povão
Abra o seu coração
Para o Pasquim, o "pequenino imortal"
Simbolizado pelo sacana ratinho
Mesmo bombardeado, virou paixão nacional
Aí, na palidez da folha
Imprimimos personagens geniais
Lindas mulheres espelhando nossas páginas
Ipanema foi o centro cultural
Hoje, essa história é carnaval

Gip, gip, nheco, nheco
Por favor não apague a luz!
Goze desta liberdade
Nos braços da Santa Cruz


Sinopse de enredo

Desenvolvimento:

ABERTURA

Em 1990 a Acadêmicos de Santa Cruz volta ao 1º grupo e abre o carnaval cantando mais uma vez a liberdade. Como no carnaval passado, nosso enredo este ano é uma justa homenagem aos que, apesar de todas as ameaças, enfrentaram o autoritarismo, a ditadura e o silêncio imposto pelos militares e pelos que se escondiam por detrás destes, e com o risco das suas próprias vidas denunciaram à nação os crimes, a tortura, a corrupção, a incompetência e, principalmente a impunidade. O nosso enredo é a história destes brasileiros e suas lutas em defesa da liberdade e da democracia. São heróis modernos, heróis da nossa história, HERÓIS DA RESISTÊNCIA patriótica no resgate da nossa cidadania.

HISTÓRICO

Sérgio Porto foi o primeiro a denunciar a ditadura. Com humor e irreverência desmantelou o castelo de hipocrisia erguido pelo governo militar de 1964. Mas Sérgio Porto se foi, e os poderosos continuaram por aqui. Entretanto, a semente de Sérgio Porto encontrou no Rio de janeiro solo fértil. Este solo foi um grupo de jovens jornalistas, e suas histórias cantaremos em nosso carnaval.

- Em 1964 teve o golpe militar.

Em 1969 teve o golpe dentro do golpe. Os militares e seus prepostos engrossaram mesmo e disseram: “Não tem pra ninguém!” E não teve mesmo.

Censura total na imprensa.

A liberdade dançou.

Os jornais não falavam nada: poemas de Camões, páginas em branco e a previsão do tempo no lugar das notícias importantes.

O pau comia e ninguém sabia, e quem sabia não podia falar.

A censura era exercida dentro dos jornais. O país do AI-5 era um país triste.

Aí, um grupo de jovens jornalistas inspirados no inesquecível Sérgio porto (Stanislaw Ponte Preta) resolveu botar a boca no mundo.

Assim nasceu a IMPRENSA NANICA. Inspirados no jornal “A Carapuça”, o grupo formado por: Jaguar, Claudius, tarso de Castro, Ziraldo, Millôr Fernandes, Fortuna, Sérgio Cabral, Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa e Luís Carlos Maciel fundou o PASQUIM.

As bruxas estavam soltas, e o Pasquim surgia para dar nome a elas.

O pasquim saiu para ser um jornal de deboche, de denúncia, um jornal de Ipanema, um jornal pra dizer nas entrelinhas que ninguém estava satisfeito com aquela coisa de ficar de bico calado, chorando em casa. Era a única trincheira na imprensa contra o silêncio imposto pelas nossas “otoridades”.

VIROU PAIXÃO NACIONAL!

O Pasquim vendeu adoidado, mudou a cabeça da rapaziada, mudou os costumes, mudou a maneira da imprensa brasileira escrever e foi um dos momentos mais importantes da história da imprensa brasileira.

E TUDO ISSO DANDO RISADA!

A dor estava doendo, todo mundo estava sofrendo e o Pasquim botava o riso na rua. E aí, quando perguntaram ao pessoal do pasquim se a espada enfiada no povo do peito do povo brasileiro não doía, a turma respondia:

- SÓ DÓI QUANDO EU RIO.

Seis meses depois de lançado, o Pasquim também começou a ser censurado como todos os outros jornais. Foi apreendido várias vezes, jogaram duas bombas no jornal, prenderam vários de seus colaboradores diversas vezes. Uma dessas prisões, a que levou todo mundo de uma só vez, como não podia ser anunciada, foi chamada de GRIPE. TODO MUNDO FICOU GRIPADO! Alguns conseguiram escapar à “epidemia” indo tomar novos ares em outros países, mas a maioria ficou por aqui.

O Pasquim entrevistava todo mundo que tinha alguma coisa pra dizer, e trazia também as mulheres bonitas da época. Foi numa dessas entrevistas que surgiu LEILA DINIZ, a moça que fez a cabeça da rapaziada de Ipanema.

A luta do Pasquim não foi só contra a censura e a repressão. O Pasquim lutou pela Anistia, foi da linha de frente desta luta. E foi o Pasquim que disse na época das trevas: “Brasil, ame-o ou deixe-o: o último a sair apague a luz do aeroporto. Depois foi buscar de volta seus companheiros, um por um, no aeroporto.

O Pasquim foi também o espaço dos Hippies, no Brasil. Foi o jornal que lanço na imprensa brasileira o Udigrudi, movimento de vanguarda cultural.

O Pasquim foi ainda o primeiro jornal no Brasil a falar em Ecologia, muito antes de se pensar nisso no país.

CONCLUSÃO

O Pasquim nasceu em plena ditadura, no momento em que a palavra livre, a inteligência, a liberdade de ir e vir e o direito à crítica estavam proibidos. O combate à ditadura era feito através da ironia, da charge, da caricatura, do escrito alegre, leve e irreverente.

O pasquim foi e é um Jornal de Humor: tanto que o Brasil inteiro lia as ANEDOTAS DO PASQUIM. O Pasquim usou o humor para combater a tirania.

Segundo Tom Jobim, o Pasquim foi o “marginal que deu certo”.

O Pasquim nasceu pra dizer que não se entregava.

“te entrega, Corisco. Eu não me entrego não. Não sou passarinho Pra morrer na escravidão.”

SESSÕES DO PASQUIM

AS PASQUINOVELAS: Histórias em quadrinhos escritas e feitas em fotos.

GIP GIP NHECO NHECO: Era uma seção de frases onde todos os humoristas de hoje buscam inspiração.

AS DICAS

CHOPINICS

PERSONAGENS PRINCIPAIS

OS FRADINHOS: que eram frades sacanas

A GRAÚNA: ave nordestina que espelhava a eterna esperança do povo nordestino.

O BODE ORELANA: que significava o coronelismo do nordeste.

O CANGACEIRO ZEFERINO: significava o lampião acovardado dos tempos modernos.

SIG – O RATINHO: símbolo do Pasquim. Rato filósofo, sacana, que sabe das coisas.

A ANTA DE TÊNIS: uma anta idiota que nunca entendia o que acontecia.

GASTÃO, O VOMITADOR: um personagem que vomitava toda vez que ouvia alguém dizer besteira.

BORIS, UM HOMEM BROONCO: um cara sem pernas, sacana que só ele.

A BICHA DO PASQUIM: Uma bicha misteriosa, que ninguém sabia quem era.

OS HERÓIS DA RESISTÊNCIA

JAGUAR: Humorista e fundador do jornal. Considerado um dos maiores desenhistas de humor do mundo.

TARSO DE CASTRO: Jornalista de talento, grande editor.

ZIRALDO: Humorista, criador de Jeremias o bom; da Supermãe e do Mineirinho, o comequieto.

Criador da Turma do Pererê e do Menino Maluquinho.

MILLÔR FERNANDES Humorista, teatrólogo e tradutor. Considerado um filósofo.

FORTUNA: Humorista, era quem paginava o jornal.

CLAUDIUS: Humorista.

PAULO FRANCIS: Jornalista corajoso e de vanguarda.

IVAN LESSA: O pai de todos os jovens humoristas que andam por aí.

 Juca Colagrossi e José Félix, autores do enredo.

Ficha Técnica

Componentes: 4000

Alas: 30

Alegorias: 12

Presidente: José Colagrossi Neto (Juca Colagrossi)

Carnavalesco: José Félix

Figurinista: José Félix

Autor(es) do enredo: Juca Colagrossi e José Félix

Autores do samba: Zé Carlos, Carlos Henri, Carlinhos de Pilares, Doda, Mocinho e Luis Sérgio

Elaborador do roteiro do desfile: Kiro e José Félix

Intérprete: Carlos Miguel Marques (Carlinhos de Pilares)

Acompanhantes do samba enredo: Cavaco- Salomão, Cuca, Luiz Antônio

Diretor de Carnaval: Gustavo Diamante (Kiro)

Diretor de Harmonia:  Carlos Roberto de Souza (Roberto Fumaça)

Outros Diretores de Harmonia:  Jorge macumba, Belomí, Dinho, Dunga, Ciro, Jerônimo, Carlinhos, Eronildes, Edson, Biluca, Nenéia, Paulo, Rejane, Deucy, Neném, José Antônio, Raquel, João Carlos, Beto da Motta, Paulo Pereira e Elisete Souto.

Presidente da Ala dos Compositores: Élson José de Souza (Ney)

Componentes da Ala dos Compositores: 80

Compositor mais idosos: Benedito Félix (Bené) 60 anos

Compositor mais jovem: Kleber de Andrade Durão (Binho) 22 anos

Mestre de Bateria: Áureo Cordeiro Ramos

Diretores de Bateria: José Carlos, Chiquinho, Washington, Gilberto e Marinho Índio

Ritmistas: 300

Nº de componentes por instrumento:

1ª marcação: 20
Caixa: 60
Prato: 0
Ganzá: 0
2ª marcação: 20
Tarol: 10
Agogô: 1
Reco-reco: 5
3ª marcação: 10
Tamborim: 40
Cuíca: 35
Repinique: 70
Chocalho: 29
Pandeiro: 0

Rainha de Bateria: Vera Benévolo

Diretora da ala das Baianas: Comissão de Carnaval

Número de Baianas: 300

Baiana mais idosa: Fordalice do Nascimento: 81 anos Baiana mais jovem: Viviane da Silva: 12 anos

Responsável pela ala das crianças: Departamento feminino

Total de componentes da ala das crianças: 200

Meninas: 118
Meninos: 82

Responsável pela comissão de frente: Carlison Renato Neves Ribeiro (Divulgador) Jussara Pádua (coreógrafa)

Total de componentes da comissão de frente : 14 (7 mulheres e 7 homens)

Média de idade dos componentes: 20 a 30 anos

Responsável pela Velha guarda: Guilherme José de Andrade

Total de componentes: 15

Componente mais idoso: Guilherme José de Andrade

Principais passistas femininos: Edméia, Márcia, Regina, Marlene, Jaqueline, Lira, Matilde, Rosália, Cristina, Mônica, Tânia, Sônia, Lucia, Diolinda, Jupira, Marlene, Alessandra e Irany

Principais passistas masculinos: Pedro Paulo, Julio César, Octacílio, Bacharel, Jorge, Audir, Dário, Noel, Zezinho, Fernando, Beto, Manoel, Silvinho, Sergiolino, Fernando, Roberto Lucio, Professor Samuel, Eunício, William, Marcos Henrique e Guaracy

Mestre-Sala e Porta-Bandeira:

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Nome do Mestre-Sala: Alex Oliveira Souza

Nome da Porta-Bandeira: Irene Oliveira

2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Nome do Mestre-Sala: Marco Aurélio (Marquinho Simpatia)

Nome da Porta-Bandeira: Natália Nascimento Santos (Natalinha)

Alas – Responsável – data de criação

Da boemia – Santiago – 1988
Sente o peso – Manoel (Jaú) – 1971
Dos Inocentes – Jorge – 1985
Senti firmeza – Jorge Bigode – 1989
Do Tomé – Tomé Pimenta – 1989
Do Zezo – Moysés Antonio – 1980
Metido a besta – Carlinhos – 1969
Da Giselda - Giselda – 1990
Da Ingá – João do vale – 1987
Grupo Real – Paulo Sérgio e Paulo Ferreira – 1988
Do Crioulo Doido – Marinez – 1988
Da Cecília – Cecília – 1985
Do Naldinho – Naldo – 1984
Ala Boa Vista – Celso – 1983
Ala Nobre – Artuzinho – 1981
Da Ingá - João do Vale – 1987
Banda de Ipanema – Albino Pinheiro – 1990
Das Bruxas – Sonia, Claudia, Margareth, Cecília e Gavião – 1990
Da Lua – Buci e Tereza – 1989
Grupo da paz – Dirlei, Carlinhos – 1989
Amigos do samba – Conceição – 1989
Da Judith – Judith e Fernando – 1984
Do Barracão Moisés – 1990
Da Gripe – Carlinhos 18 - 1990

Fotos do Desfile

Vídeo do Desfile