Carnaval 1994

A Rota dos Mercadores

Posição de desfile: 5ª Agremiação a desfilar.

Colocação: 7ª Colocada do Grupo A com 305,0 pontos.

Data do desfile: 11/02/1994 - Sexta-Feira.

Local: Passarela do Samba.

Presidente: Edgar Raimundo de Freitas.

Carnavalesco: Albeci Pereira.

Samba-Enredo:

(versão estúdio)


(versão ao vivo)

Compositores: João Lacerda, Walter Cruz, Waldir Cruz, Íris Felix
Intérprete: Quinzinho

Oh, que maravilha!
Retrato de uma era milenar (milenar)
Foi o homem aventureiro
Barganhando pelo mundo
Desenhou seu caminhar (ô seu caminhar)
Da Fenícia trouxe o brilho
Mercadores andarilhos
E nesse luxo me fiz rei
Sob tapetes encantados
Persiana enamorado e jóias me banhei

Vou armar a banca na Sapucaí
Eu tenho tudo pra fazer você sorrir


Retalhei em parte os continentes
Da Índia busquei raros cereais
Exuberantes tecidos,
Porcelanas geniais
Alcançando a Ásia
Rumo ao oriente viajei
Com vitrais tão valiosos deparei
Em Veneza um império revelei

Desbravei terras
Às Américas cheguei
Trouxe fumo, trouxe açúcar
Por metais me enamorei


Feira tão livre pelo mundo se alastrou
Tá pra lá de Marrachech ver o peso meu senhor
TV a cores, brilho do computador
Tem até o Shopping Center na rota do mercador

Olha eu na praça meu bom freguês
Tem seda pura na barraca do chinês


Sinopse de enredo

Objetivo:

Descrever a importância exercida na Rota dos Mercadores na evolução através dos tempos.

Introdução:

Devido à importância da relação de troca no processo de desenvolvimento do Homem, o principal objetivo deste enredo é apresentar por uma perspectiva histórica, as etapas determinantes que a Rota dos Mercadores contribuiu e contribuem de alguma forma no seu desenvolvimento. Procurou-se na medida do possível apresentar a Rota dos Mercadores em ordem cronológica. Entretanto podem ocorrer situações em que esta ordem fique sobreposta, mas este fato não prejudica a visualização e desenvolvimento do enredo, uma vez que, mais importante é o conteúdo.

Desenvolvimento:

Desde os primórdios da civilização, o Homem tem andado pelo mundo a procura de encontra em outros lugares artigos para suprir as suas mais diversas necessidades.

Em razão disto toma contato com outras culturas permitindo com isso a sua evolução.

Nesta procura ele encontra civilizações que tiveram grande importância para o seu desenvolvimento. Sendo como povos mercadores ou como produtores de mercadorias para troca.

A princípio o processo de troca era feito de tal forma que não havia nenhum bem intermediário como meio de pagamento e as trocas se realizavam numa permuta de mercadoria por mercadoria. Como isso dificultava imensamente as transações, principalmente devido a dificuldade de equivalência dos bens trocados, passou-se a desdobrar a troca pura e simples num trinômio de mercadoria – moeda – mercadoria.

Como as necessidades de produtos não são supridas em único lugar, sai o Homem, mercador, procurando de Mercado em Mercado pela Terra, Mercadoria.

Nesta procura, tomando como de partida a Fenícia, que entre o século XII a.C e fim do século VII a.C, em decorrência da situação geográfica e das caravanas que chegavam a seus portos, acumulava uma grande quantidade de produtos a serem comercializados, o Homem vai encontrar neste povo, uma extraordinária habilidade para as técnicas artesanais onde desenvolveram a elaboração de tinturas (púrpura) através de molusco e a confecção de artigos de luxo como perfumes, jóias, objetos de vidro e móveis.

Comercializavam não só por conta própria, como também a serviço de outros povos, e é este povo que aventurando-se por todo Mediterrâneo aperfeiçoa as técnicas de navegação, estabelece um sistema de comércio internacional e difunde o alfabeto (com 22 símbolos), simplificando a escrita até então já existente.

Continuando a sua busca ele chega a Pérsia onde encontra toda uma vasta produção artística, seja na arquitetura, nos baixos e altos-relevos; na estatuária, na tecelagem, onde encontramos os tapetes e joalheria.

Toda esta produção artística persa é fruto da fusão das suas próprias concepções estéticas com as dos povos com que eles entrarem em contato.

Das diversas partes do continente africano o Homem encontra cereais, açúcar, marfim, produtos exóticos e raros, tintura, ouro e escravos.

Na enigmática Índia ele busca os artigos de luxo, tecidos orientais, objetos de marfim, jóias e as famosas especiarias: cravo, pimenta, canela, noz-moscada, etc.

Tecidos finos, seda, porcelana e lapidação de pedras semipreciosas eram encontradas na lendária China. A comercialização da seda foi tão importante que a rota utilizada pelos Mercadores era conhecida como a Rota da Seda, que era protegida ao seu longo, contra as incursões nômades, garantindo com isso o contato com a Ásia Central e daí com o Oriente.

No século XIII quando teve o grande desenvolvimento das cidades, Veneza cria um grande império comercial explorando o Mediterrâneo.

Em decorrência disto consegue o monopólio da produção de espelhos, utilizando na produção técnica vinda do Oriente.

Deste modo esta cidade torna-se grande centro de Mercado.

Com a descoberta do novo continente, as Américas, que é fruto da necessidade de superar as crises que atingiram o século XIV e início do século XV, o Homem chega em busca dos metais nobres e tinturas, e trazem consigo a cana de açúcar e o fumo para nova terra.

Com o passar dos tempos, o mercado, lugar físico onde eram realizadas as trocas, vai perdendo sua importância econômica. Entretanto continua desempenhando papel fundamental no processo de troca direta do Homem com o Homem.

Em razão disto vamos encontra pelo mundo lugares pitorescos, onde permanece até hoje o romantismo dos antigos mercados. O contato vendedor comprador, como o mercado das Pulgas, em Paris, o mercado de Marrakech, no Marrocos, e, no Brasil vários mercados se destacaram entre eles citamos o da Praça XV, no Rio de Janeiro, Mercado Modelo em Salvador e Ver o Peso, em Belém do Pará.

Não podemos esquecer que as feiras livres existentes no Brasil, são também exemplos de mercado.

O tempo aliado à evolução, muda a característica com relação a procura de mercadorias, as especiarias e porcelanas vão dar lugar aos produtos eletroeletrônicos e carros. Mas não muda a busca do homem pelo Mercado, causando com isso um deslocamento no eixo comercial.

O passar dos anos e o crescimento das cidades vai fazendo que o espaço destinado aos mercados fique reduzido, isto obriga que os grandes mercados se desfaçam e os mercadores passam a ocupar lojas espalhadas pelas grandes cidades.

O Homem moderno na sua constante batalha contra o tempo recria na figura dos SHOPPINGS CENTER, onde em um único espaço consegue encontrar o que necessita.

É o eterno mercador em busca de uma nova rota para negociar a Mercadoria.

Albeci Pereira, autor do enredo.

Ficha Técnica
Componentes: 3200
Alas: 28 
Alegorias: 4
Presidente: Edgar Raimundo de Freitas
Carnavalesco: Albeci Pereira
Estilista: Carlos Negri
Autor(es) do enredo: Albeci Pereira
Autores do samba: João Lacerda, Walter Cruz, Waldir Cruz, Íris Felix
Intérprete: Quinzinho
Diretor de Carnaval: Arildes da Silva
Mestre de Bateria: Mestre Bira
Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Nome do Mestre-Sala: Alex
Nome da Porta-Bandeira: Irene
2º Casal de Mestre-Sala e Porta Bandeira
Nome do Mestre-Sala: Rogério
Nome da Porta-Bandeira: Natalinha

Fotos do Desfile

Vídeo do Desfile