Uma trajetória em verde e branco

  • Os primeiros desfiles


    Ascensão rápida


    Já com uma Diretoria montada e composta em sua maioria por militares e servidores da Base Aérea de Santa Cruz apresentou-se pela primeira vez no carnaval de rua em 1960. Os desfiles eram realizados na rua Felipe Cardoso, no próprio bairro e aconteciam às terças-feiras de carnaval juntamente com outros blocos carnavalescos da região. O enredo para o primeiro desfile carnavalesco do Acadêmicos "tacou fogo na avenida": "Nero, o Imperador". Contou um pouco da trajetória do líder romano que levou sua tirania à loucura, incendiando seu reino. Nessa ocasião ficou com o vice-campeonato.

    Ainda na condição de bloco, apresentou-se no ano seguinte também em Campo Grande e Bangu, sendo campeã em todos com o tema "Grandes Vultos"

    Repetiu a façanha no carnaval de 62 quando desfilou com "Baile Imperial". Seus dirigentes encorajaram-se e resolveram transformar o bloco em escola filiando-se em abril de 1962 à Confederação Brasileira das Escolas de Samba. Daí passou a se chamar Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos de Santa Cruz, sendo batizada pela Unidos de Bangu.

  • Anos 60 - O início promissor


    Entre as Grandes


    Seu primeiro desfile na cidade foi no dia 2 de dezembro de 1962, por ocasião do 1° Congresso do Samba. Ainda em 62 participou do desfile "Noite de São Silvestre", patrocinado por um jornal no Centro da cidade, no último dia do ano, do qual foi proclamada campeã.

    Em 1963, estreando como escola de samba, disputou o carnaval na Praça Onze (Grupo 3) e foi campeã ganhando o direito de desfilar na avenida Rio Branco.

    No carnaval de 1964 com o enredo "Costumes e Tradições da Bahia" ficou com o 5º lugar. Em 1965, a Acadêmicos de Santa Cruz foi campeã do Grupo 2, no Carnaval do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro e ganhou o direito de desfilar pela primeira vez no grupo principal, no ano seguinte. Apresentando o enredo "Epopeia de uma raça" não se sustentou no grupo principal e foi rebaixada.


    No Carnaval de 1967 com 500 componentes e 60 homens na bateria comandada por Mestre Áureo, encerrou o desfile do Grupo II com o enredo "Núpcias Imperiais". Foram destaques as figuras representativas do Conde D` Eu, Princesa Isabel, Pedro II e Princesa Leopoldina.

  • Anos 70 - Uma Década desafiadora


    Sucessivos rebaixamentos não esmorecem o sonho


    No carnaval de 70 pelo grupo principal, a Santa Cruz passou por diversos contratempos que acabaram prejudicando sua apresentação. Um acidente com um caminhão que conduzia componentes e alegorias fez com que a escola desfilasse sem parte das fantasias. Faltaram os sapatos da bateria. A porta-bandeira desfilou sem o pavilhão. O enredo que homenageava a "Bravura, Amor e Beleza da Mulher Brasileira" tinha como destaques Anita Garibaldi, Clara Camarão e Barbara Heliodora representando a "Bravura". Na segunda parte diversas misses representaram a beleza. Com o atraso, a escola acabou penalizada. Após o desfile, o rebaixamento era dado como certo.

    A partir daí passou por períodos instáveis oscilando entre o segundo e terceiro grupo, com momentos de grandes dificuldades. No ano de 1972, com o enredo "Brasil folclórico" ocorreu o primeiro rebaixamento para o Grupo 3. A escola havia desfilado nesse grupo em 1963, num momento de ascensão, completamente oposto. No carnaval de 1973, com o enredo "O Rio de todos os Tempos" que, retratava inúmeros fatos pitorescos e tradicionais da cidade maravilhosa, a escola conquistaria o campeonato no terceiro grupo e o acesso ao Grupo 2.


    A década de 70 também foi marcada por lindos sambas e homenagens a grandes músicos da cultura brasileira como a cantora Dalva de Oliveira em 1974, o poeta Catulo da Paixão Cearense em 1977 e o compositor Carlos Gomes em 1978.

    A escola voltaria a desfilar no terceiro grupo nos carnavais de 77 e 79. Somente na década de 80 com o acesso ao Grupo 2 a agremiação atingiria a maturidade necessária para sempre se mostrar na briga por uma das vagas do grupo principal das escolas de samba.

  • Anos 80 - Afirmação e Crescimento


    A escola se populariza e tá na mídia


    No carnaval de 1981, os Acadêmicos de Santa Cruz exaltaram a preservação da ecologia, principalmente na Amazônia com cerca de 1.800 componentes. A fauna brasileira foi retratada nos carros alegóricos e em 45 adereços manuais desenvolvidos pelo presidente e carnavalesco José Lima Galvão. Destaque para a bateria de Mestre Áureo que se apresentou de forma segura com evoluções que proporcionaram um bom desenvolvimento harmônico da escola.


    Em 1982 com uma homenagem ao compositor João de Barro, mais conhecido como Braguinha, o enredo emocionou a todos naquela segunda-feira de carnaval no sambódromo. Com leveza, alegria contagiante e a atmosfera mágica daquele desfile, ficou muito próxima da elite com a terceira colocação.

    No carnaval de 1983 a escola contagiou a plateia mostrando-se rica, colorida e compacta ao apresentar o enredo "Uma andorinha só não faz verão" que girava em torno da importância do português e do negro na formação social brasileira. O carro abre-alas era uma reprodução rica da fauna e da flora que conviviam com os índios por ocasião da chegada de Cabral, representado por 12 integrantes da comissão de frente. A escola ficou com o 3º lugar. Não foi desta vez que a escola conquistou o acesso ao grupo principal.

    Em 1984, no primeiro ano do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, a Escola chegou em segundo lugar no Grupo 1B com o enredo "Acima da coroa de um rei, só um deus", o que lhe garantiu presença no Supercampeonato, disputado no sábado seguinte ao carnaval. Nesse desfile, a Santa Cruz ficou apenas com o oitavo lugar.

    No ano de 1985, a Verde e Branco homenageou a High Society brasileira com muita propriedade, na figura do colunista social Ibrahim Sued e ganhou a mídia. O desfile atrasou por duas horas devido a problemas com alegorias na concentração, o que acabou lhe custando a perda de 10 pontos. Com 6500 componentes e duas alas de baianas a Santa Cruz levou para a Sapucaí uma bateria das melhores. Aroldo Melodia puxou muito bem o samba. O desfile contou com a presença de muitos colunáveis, inclusive a miss Brasil Martha Rocha. Em termos plásticos, o destaque ficou por conta de uma grande alegoria que mostrava um banquete. O homenageado desfilou a bordo de um Cadillac conversível e foi muito muito saudado pelo público.

    Em 1986, a Santa Cruz fez um tributo aos estados brasileiros com o enredo "E você o que é que dá?". O enredo abordava as riquezas, folclore e costumes brasileiros, mostrando a contribuição de cada estado para a grandeza do país. O café de São Paulo, o leite de Minas Gerais, ícones de cada estado foram bem representados. Riquezas como o petróleo, a hidrelétrica Itaipu e as indústrias minerais remetiam ao progresso do país. A Santa Cruz obteve apenas a 8ª colocação com essa apresentação.

    Nos dois anos seguintes, a Santa Cruz elaborou seus enredos com muita crítica e o bom humor marcante do carnavalesco Luiz Fernando Reis.

    Em 1987, com "Quem Espera Só se Cansa" criticava a postura do povo brasileiro perante promessas não cumpridas onde, como diz o enredo, "o negro espera a liberdade", "o lavrador aguarda a reforma agrária" e "o povo espera por políticos honestos". Uma crítica certeira aqueles que prometem aquilo que não podem dar.

    Em 1988, o enredo "Como se bebe nesta terra…!" focava no hábito da bebida e os mais diversos tipos consumidos no Brasil desde o seu Descobrimento. O samba versa "Foi um gajo de porre que a descobriu". Chega na República e "embriagado, J.Q. renunciou". Por fim confessa "E na lourinha que meu povo busca inspiração". Um dos carros alegóricos do desfile representava com tulipas e taças, o chope, a cerveja, preferência nacional. O samba e a harmonia comprometeram a apresentação perdendo muitos pontos na apuração. A Santa Cruz obteria a 5ª colocação com esse desfile.

    "Stanislaw, Uma História Sem Final", do experiente carnavalesco José Félix, foi o enredo escolhido para o Carnaval de 1989, uma homenagem ao jornalista e escritor Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta. Com 2.500 componentes em 28 alas, o Acadêmicos de Santa Cruz deu uma aula de criatividade e alegria explorando muito bem o tema irreverente. Na comissão de frente tiveram vez as "Certinhas do Lalau", as belas vedetes eleitas pelo cronista. As piadas mais famosas eram temas dos carros alegóricos, como o do "Febeapá", e o do "Samba do crioulo doido". Os quase três mil componentes mostraram samba no pé e conseguiram levantar o público nas arquibancadas. Com um desfile tecnicamente perfeito a escola conquistou o título e o acesso ao Grupo Especial no ano seguinte.

  • Anos 90 - Três vezes Especial


    O Sucesso bate à porta



    No carnaval de 1990, a Verde e Branco homenageou os fundadores do “Pasquim”, o mais importante jornal alternativo do Brasil que, apesar de todas as dificuldades, conseguiu se manter de pé durante os anos de chumbo. Foi um desfile irreverente, mas que enfrentou sérios problemas em harmonia e evolução. Com um de seus melhores sambas, “Os Heróis da Resistência” foi puxado brilhantemente pelo intérprete Carlinhos de Pilares. O samba teve grande repercussão também no pós-carnaval ao ter sido regravado pelo cantor Emílio Santiago. O desfile ficou na lembrança de todos os que gostam de alegria e criatividade. O desfile contou com a presença ilustre de Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz. A grande polêmica ficou por conta do carro do Super-Homem sentado na privada que, inicialmente, viria com “tudo” a mostra. Mas devido a uma possível punição da Liga, optou-se por cobrir as partes íntimas. Ao fim da apuração das notas na quarta-feira de cinzas, a escola ficou na penúltima colocação e acabou rebaixada. O mestre-sala Alex ganhou o prêmio Estandarte de Ouro de melhor Mestre-sala dado pelo Jornal o Globo.

    De volta ao grupo de acesso, no Carnaval de 1991, a Escola era favorita ao título, mas desfilou às escuras, por conta de um blecaute na Marquês de Sapucaí, onde se apresentava com o enredo "O Boca do Inferno", sobre o poeta baiano Gregório de Mattos e Guerra. O blecaute durou noventa minutos. A escola não foi julgada. Numa decisão da AESCRJ e RioTur foi deliberado que as notas da escola não seriam divulgadas e que as duas entidades tentariam junto a LIESA a ascensão da escola ao Grupo Especial.

    No ano de 1992, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em inédita decisão obrigou a LIESA a deixar que a Acadêmicos de Santa Cruz participasse do Grupo Especial abrindo os desfiles. Porém a decisão veio dias antes do carnaval. Consequentemente o samba-enredo acabou ficando de fora do disco da elite do Carnaval. O enredo "De quatro em quatro, eu chego lá", dos carnavalescos Albeci Pereira e Ney Ayan, morto em 1991, tentou mostrar a mística do algarismo 4 e sua relação com o homem desde a pré-história. Despreparada, a Santa Cruz desfilou no Grupo Especial com estrutura de Acesso. Contou ainda com alguns contratempos como a quebra de dois carros que, ocasionaram enormes vazios na pista e a lentidão na retirada dos destaques das alegorias na Praça da Apoteose. O rebaixamento já era um fato esperado.

    No carnaval seguinte o enredo “Quo Vadis, Meu Negro de Ouro” conseguiu desenvolver uma mensagem política com propriedade. Financiada pelo Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) e do fundo de pensão da estatal, o Petros, conseguiu defender o monopólio estatal do petróleo com um bom desfile, apesar de ter ficado longe do título. A escola, entretanto, não apresentou o carro abre-alas, fazendo com que o início de seu desfile não causasse tanto impacto. Entre os destaques, o ex-deputado Euzébio Rocha, autor do projeto que instituiu o monopólio da Petrobras em 1953, e Jair Amorim, um dos membros mais antigos do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e um dos líderes da campanha "O petróleo é nosso".

    Já em 1994, apresentando o enredo “Na Rota dos Mercadores” abordava as grandes rotas comerciais pelos cinco cantos do mundo. Os comércios da Pérsia, China e Índia foram retratados em carros alegóricos. O carnavalesco Albeci Pereira inovou na estética das alegorias, todas com movimentos giratórios, conferindo alto grau de visualização dos carros e dando vida ao desfile. Além disso, as fantasias estavam impecáveis e o samba foi bem cantado, colocando a Santa Cruz como favorita ao título após o desfile. Porém, na apuração o inesperado sétimo lugar causou espanto e revolta por parte dos componentes.

    No ano de 1995, o desfile do Grupo de Acesso foi dividido em dois dias e administrado por uma nova entidade, a LIESGA. Com o tema afro “Deuses e Costumes nas Terras de Santa Cruz”, a comunidade santacruzense desfilou na sexta-feira de carnaval e cantou forte o melhor samba do grupo, premiado com o Estandarte de Ouro. O samba foi puxado pela cantora Leci Brandão. Com um grandioso conjunto alegórico, fantasias leves e bem acabadas, o desfile porém, foi mal avaliado pelos jurados, não passando da quinta posição.

    Em 1996, a incansável comunidade da zona oeste preparou mais uma grande exibição. O enredo “Ribalta - Luz, Sonho e Ilusão” viajou o mundo, da Grécia antiga ao Oriente, passando pelos palcos e shows de grandes cidades como o teatro Bolshoi, Lido de Paris e as touradas de Madri. O desfile agradou em cheio os jurados. A escola obteve nota máxima em todos quesitos. Enfim chegava a hora da Acadêmicos de Santa Cruz retornar ao grupo de elite.

    De volta ao Grupo Especial no Carnaval 1997, o enredo “Não se Vive sem Bandeira” abordava as tradições, festejos, toda a simbologia envolvendo as bandeiras e o que representam histórica e culturalmente para a humanidade. Na comissão de frente arautos anunciavam o desfile a frente de uma luxuosa coroa no carro abre-alas. Bandeiras e brasões históricos e de todos os tipos foram lembrados. Desde os grandes impérios às bandeiras mais influentes do mundo contemporâneo como a das Olimpíadas. Foram representados os pavilhões das escolas de samba, de clubes esportivos. A bandeira da paz foi simbolizada por uma grande pomba. O patriotismo não ficou de fora e a bandeira nacional tremulou no fim da apresentação. O desfile também ficou marcado pela nudez das musas da vinheta de carnaval da Rede Manchete. A sumária fantasia das três madrinhas da bateria, teve de ser encoberta por três camisetas da escola para não correr risco de infringir o regulamento. Apesar do bom samba que empolgou parte das arquibancadas e do caprichado trabalho de barracão quatro agremiações seriam rebaixadas e mais uma vez a Santa Cruz não conseguiu se manter na elite. A escola perdeu um ponto por não ter retirado seus carros no tempo estabelecido da área de dispersão.

    Com um tema tido como polêmico pela mídia especializada, a Santa Cruz veio em 1998 “mordida” pelo rebaixamento e disposta a mostrar que a bela homenagem feita à Cazuza com o enredo “O Exagerado Cazuza nas Terras de Santa Cruz” poderia render um belo carnaval. E não foi diferente. O abre-alas representou um trem para as estrelas. A ala de baianas foi inovadora ao representar as empregadas domésticas, vestidas de negro. A Santa Cruz empolgou principalmente com a passagem do Barão Vermelho no carro Rock in Rio. Mesmo não obtendo a ascensão com a terceira colocação, o ano de 1998 ficaria marcado com mais um memorável desfile.

    Os dois anos seguintes não foram os melhores que a Escola já passou. A Santa Cruz não conseguiu manter o alto nível de carnavais passados. No entanto não deixou de lado a competência e a galhardia de como se apresentar na Marquês de Sapucaí.

    Em 1999, com “Abraham Medina em Noite de Gala”, o enredo homenageava o empresário e comunicador que criou na televisão brasileira o programa "Noite de Gala" - e que fez da rede de eletrodomésticos "Rei da Voz" um verdadeiro império. Apesar do bom samba, e da animação dos componentes, plasticamente a escola desfilou pouco criativa para contar o enredo. Obteve uma honrosa quarta colocação.

    Já no carnaval do ano 2000, a Santa Cruz exaltou os 500 anos do Brasil, suas riquezas e a importância da reciclagem do lixo em defesa da natureza. As fantasias leves facilitavam a evolução do componente que manteve o samba no pé já com a luz do dia. Na apuração, notas baixas nos quesitos enredo e alegorias garantiram apenas a sexta colocação.

  • Anos 2000 - O Espetáculo não pode cessar


    2003 dá força para continuar na disputa


    No carnaval de 2001 a Santa Cruz prestou uma bela homenagem em vida ao grande ator e compositor Mário Lago. O carnavalesco Fernando Alvarez soube preparar um desfile digno com pouca verba financeira. O destaque do desfile foram as alas que representavam máquinas de escrever, tesouras (a censura), o Bola Preta, a televisão e o Fluminense, seu time de coração. Orientado pelos médicos, o homenageado não desfilou. O samba e a força da comunidade garantiram um ótimo desempenho. Por pouco a escola não conseguiu o acesso ao Grupo Especial.

    O carnaval de 2002 foi marcado pela chuva. Porém a Santa Cruz contou com a sorte e não se "molhou". O enredo simples, porém versátil “Papel - Das Origens à Folia - História, Arte e Magia” contou com o bom gosto das alegorias e fantasias concebidas pelo carnavalesco Fernando Alvarez e o show de interpretação de Luizinho Andanças. A verde-e-branco candidatava-se mais uma vez a única vaga a elite do carnaval carioca. Após uma apuração confusa, devido ao erro de um jurado, a Santa Cruz sagrou-se campeã do grupo de acesso. Um título que não conquistava há 6 anos.


    No ano de 2003 a Santa Cruz teve o momento tão esperado, o retorno aos desfiles do Grupo Especial. E fez bonito, mesmo tendo apenas três meses para preparar seu desfile, devido ainda a questionamentos na justiça quanto ao resultado do último carnaval. O enredo “Do Universo Teatral à Ribalta do Carnaval” de autoria dos carnavalescos Cahê Rodrigues, Rosele Nicolau Coutinho e Munir proporcionou um desfile grandioso e luxuoso. O samba de boa qualidade e a força da comunidade mais uma vez empurraram a Santa Cruz a um desfile correto. A expectativa de permanência da verde-e-branco no grupo era enorme. Porém mais uma vez os jurados pareceram não compreender a apresentação e a rebaixaram com uma única nota dez.

    No ano seguinte, de volta ao grupo de acesso, a agremiação soube aproveitar muito bem a estrutura que havia adquirido do carnaval passado e prestou uma bela homenagem ao próprio bairro e sua importância na história do Brasil. O desfile ficaria marcado com a morte por infarto de um dos diretores na concentração, minutos antes do desfile começar. A emoção tomou conta dos componentes. O desfile, apesar de, tecnicamente perfeito não garantiu o título. A Santa Cruz ficou com o vice-campeonato e a certeza de ter feito mais um grande desfile.

    Em 2005 foi a quarta agremiação a entrar na Avenida com o tema “Rio - Conquistas e glórias de uma cidade de histórias”. Mantendo o nível dos últimos carnavais a Santa Cruz não decepcionou e com seu estilo correto e a empolgação dos componentes brigou em igualdade com outras candidatas ao título, ficando na quarta colocação.

    Em 2006 apostou novamente na temática histórica com o enredo “Liberdade, igualdade e fraternidade - Um sonho chamado França”. Contou com um patrocínio do exterior em retribuição ao evento cultural Ano do Brasil na França. Apesar das dificuldades que o grupo de acesso oferece, a Santa Cruz mostrou mais uma vez como fazer um desfile competente e emotivo.

    Almejando mudanças, a Santa Cruz contrata o carnavalesco Fran Sérgio, um dos integrantes da vitoriosa comissão de carnaval da Beija-Flor, e o experiente intérprete David do Pandeiro. Trazendo o enredo “O tempo que o tempo tem” a Escola apresentou um novo visual no desfile de 2007 e a aposta na nova estética funcionou. Com um samba alegre e leve, além de carros criativos e bem acabados, estava novamente na briga pela única vaga rumo ao grupo especial. Numa apuração apertada terminou o carnaval na terceira colocação.

    Para 2008 o time que deu certo no carnaval anterior foi mantido. No ano em que a prefeitura ofereceu um patrocínio às escolas que abordassem os duzentos anos da vinda da Família Real ao Brasil, a Santa Cruz conseguiu ainda uma ajuda do município vizinho de Itaguaí para desenvolver o enredo “Da abertura dos Portos à cidade do porto, Itaguaí - Uma história real”. Numa noite marcada por desfiles luxuosos e superando expectativas, a verde e branco não ficou para trás e trouxe um trabalho digno de campeã, disputando o título com outras fortes concorrentes. Esteve próxima à vaga durante a maior parte da apuração. Na reta final terminou na terceira colocação.

    2009, o ano do cinquentenário, foi marcado por grandes perdas na agremiação, dentre elas a da eterna primeira-dama e carnavalesca Rosele Nicolau. O desfile, devido ao atraso, começou com a luz do sol e se mostrou uma bela e colorida mensagem de preservação da natureza.
  • Anos 2010


    O jogo muda com junção de grupos


    No ano seguinte, a Santa Cruz pisava a passarela do samba prestando uma homenagem a Rosele Nicolau com um dos seus enredos esboçados antes de vir a falecer. "Nos Passos do Compasso" foi cheio de lirismo e emoção do início ao fim, contando a história da música e da dança através dos tempos com a figura do Pierrô e da Colombina.

    No carnaval de 2011, o tema remetia aos anos 60 e foi inspirado nas ideais libertários dos jovens da época. Os hippies, o feminismo, a contracultura e tudo que lembrava a época repressora da ditadura esteve no desfile. Além, é claro, dos ícones como a minissaia e os artistas daquela época como os Beatles e Elvis Presley. Apesar da insistente chuva, o desfile passou sem maiores problemas. Porém estourou o tempo em 1 minuto no cronômetro.

    Em 2012 o homenageado era o popular radialista e locutor Antônio Carlos num enredo que abordava o surgimento do rádio e o seu principal programa, líder de audiência no Brasil, o Show do Antônio Carlos. Com a presença do homenageado e de ilustres artistas que animam as manhãs dos brasileiros, a escola fez um desfile divertido, principalmente com as passagens do samba pra lá de caricato e escrachado.

    O luxo, bom gosto e acabamento de fantasias e alegorias permearam o desfile de 2013 sobre o Ceará e a lenda do Dragão do Mar. O carnavalesco Sylvio Cunha soube costurar bem o enredo garantindo na apuração as notas máximas. O intérprete Paulinho Mocidade, de volta ao carnaval carioca, foi o grande responsável pelo sucesso do samba entre os componentes.

    Santa Cruz se inspirou na qualidade de vida dos moradores de Jundiaí pra cantar o seu samba na Sapucaí em 2014. O enredo divulgou a cultura e o modo de vida em Jundiaí, no interior paulista e também serviu de intercâmbio entre os carnavais daqui e de lá. O Circuito das Frutas e o time de futebol Paulista de Jundiaí estiveram representados no desfile.

    2015, ano em que o ator e comediante Grande Otelo completaria cem anos de nascimento, a Acadêmicos de Santa Cruz prestou uma bela homenagem ao artista na sexta-feira de carnaval. O enredo teve momentos da vida de Otelo menino, quando começou a vida artística no circo, representado no carro abre-alas. Passou pelos grandes sucessos do teatro, rádio, cinema e tv. A passagem do último carro teve a presença de familiares do artista e emocionou o público, com a representação de Grande Otelo no céu ao lado de anjos.


    Em 2016 a Santa Cruz apostou novamente em uma temática de cunho ambiental. Dessa vez com olhar mais atento ao desmatamento e a cultura das florestas. O resultado foi um desfile rico, leve e muito colorido. Problemas na evolução fizeram com que a escola encerrasse sua apresentação um minuto além do permitido ocasionando a perda de um décimo na pontuação.

    O desfile do Carnaval 2017 contou o surgimento da literatura infantil desde a África, fonte da sabedoria, passando pela era medieval até os tempos atuais exaltando Monteiro Lobato, sua obra e escritores brasileiros. Entre os destaques, a fantasia que representava o Homem de lata do conto “O Mágico de Oz” e da ala coreografada que representava a Emília do “Sítio do Pica-pau Amarelo”. Alguns percalços como a fraca iluminação nas alegorias tiraram o brilho do desfile. A evolução irregular de algumas alas tirou pontos preciosos na apuração.

    Para o Carnaval de 2018, a Santa Cruz montou um time campeão com o propósito de voltar a disputa do título. O renomado carnavalesco Max Lopes foi chamado e propôs um enredo que falasse de "Esperança" e todas as formas e manifestações que os brasileiros recorriam para ter fé. O samba foi puxado pela voz marcante do experiente intérprete Quinho. Uma imensa esperança em noite estrelada, juntamente com a coroa, abriu o desfile. O povo cigano e seu misticismo teve presença marcante no desfile. O último carro que representava a "União, fonte de esperança" para os brasileiros teve dificuldades para entrar na avenida, abriu um grande buraco, e passou com a iluminação apagada.