Uma trajetória em verde e branco

  • Os primeiros desfiles

    De 1960 até 1962 os desfiles foram realizados na rua Felipe Cardoso, no próprio bairro. Os desfiles aconteciam às terças-feiras de carnaval juntamente com outros blocos carnavalescos da região.

    Em abril de 1962, o Bloco Carnavalesco "Os Acadêmicos de Santa Cruz" filiou-se à Confederação das Escolas de Samba e passou a se chamar Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos de Santa Cruz, sendo batizada pela Unidos de Bangu.

  • Anos 60

    Seu primeiro desfile na cidade foi no dia 2 de dezembro de 1962, por ocasião do 1° Congresso do Samba. Em 1963, disputou o carnaval na Praça Onze (Grupo 3) e foi campeã.

    Em 1965, a Acadêmicos de Santa Cruz foi campeã do Grupo 2, por ocasião do carnaval do IV Centenário e desfilou, pela primeira vez, no grupo principal, no ano seguinte.

    Nos anos de 1967 e 1968, começou a aglutinar sambistas de outras escolas de Santa Cruz, como: “Unidos da Jaqueira”, “Independentes do Morro do Chá”, “Garotos do Itá” e “Unidos do Caxias”.

  • Anos 70

    A década de 70 foi marcada por lindos sambas e homenagens a grandes músicos da cultura brasileira como a cantora Dalva de Oliveira em 1974, o poeta Catulo da Paixão Cearense em 1977 e o compositor Carlos Gomes em 1978.

    Viveu períodos instáveis oscilando entre o segundo e terceiro grupo, com momentos de auge e também de grandes dificuldades.

    A Escola conquistou um campeonato pelo grupo 3 em 1973.

    Na década de oitenta a Escola atingiria a maturidade necessária para sempre se mostrar na briga por uma das vagas do grupo principal das escolas de samba.

  • Anos 80

    Com uma homenagem à Braguinha em 1982, o enredo “Braguinha, Carnaval de Sonho” emocionou a todos naquela segunda-feira de carnaval no sambódromo. Com leveza, alegria contagiante e a atmosfera mágica daquele desfile, ficou muito próxima da elite com a terceira colocação.

    Em 1984, no primeiro ano da Marquês de Sapucaí, a Escola chegou em segundo lugar no Grupo 1B com o enredo "Acima da coroa de um rei, só um deus", o que lhe garantiu presença no supercampeonato, disputado no sábado seguinte ao carnaval. Nesse desfile, a Santa Cruz chegou apenas em oitavo lugar.

    No ano de 1985, a Verde e Branco de Santa Cruz homenageou o High Society brasileiro resumido, com muita propriedade, na figura do colunista social Ibrahim Sued. Atrasou o desfile por duas horas devido a problemas com suas alegorias, o que acabou lhe custando a perda de 10 pontos em concentração. Com 6500 componentes e duas alas de baianas a Santa Cruz levou para a Sapucaí uma bateria das melhores. Aroldo Melodia puxou muito bem o samba. Em termos plásticos, o destaque ficou por conta do grande carro que mostrava um banquete.

    Em 1989, a Escola ganhou o desfile do segundo grupo e subiu para o Grupo Especial com o enredo "Stanislaw, Uma História Sem Final", do experiente carnavalesco José Félix. Com 2.500 componentes em 28 alas, o Acadêmicos de Santa Cruz deu uma aula de criatividade e alegria explorando muito bem o tema irreverente.

  • Anos 90

    No carnaval de 1990, a Verde e Branco de Santa Cruz homenageou os fundadores do “Pasquim”, o mais importante jornal alternativo do Brasil que, apesar de todas as dificuldades, conseguiu se manter de pé durante os anos de chumbo. Foi um desfile irreverente, mas que enfrentou sérios problemas em harmonia e evolução. Com um de seus melhores sambas, “Os Heróis da Resistência” ficou na lembrança de todos os que gostam de alegria e criatividade. A grande polêmica ficou por conta do carro do Super-Homem sentado na privada que, inicialmente, viria com “tudo” a mostra. Mas devido a uma possível punição da Liga, a Diretoria optou por cobrir a partes íntimas.

    No ano de 1991, a Escola era favorita, mas desfilou às escuras, por conta de um blecaute na Marquês de Sapucaí, onde se apresentava com o enredo "O Boca do Inferno", sobre o poeta baiano Gregório de Mattos e Guerra. O blecaute durou noventa minutos. A escola não foi julgada. Posteriormente ganhou na Justiça o direito de desfilar entre as grandes no carnaval de 1992.

    Em 1992 tentaria mais uma vez permanecer entre as grandes com o enredo "De quatro em quatro, eu chego lá", dos carnavalescos Albeci Pereira e Ney Ayan (que faleceu em julho de 1991). O resultado do processo sobre a ascensão da Escola saiu a pouco tempo do carnaval. Consequentemente a Santa Cruz desfilou no Grupo Especial com estrutura de Acesso. Contou ainda com alguns contratempos como a quebra de dois carros e a lentidão na retirada dos destaques das alegorias na Praça da Apoteose. O rebaixamento já era um fato esperado.

    No carnaval seguinte o enredo “Quo Vadis, Meu Negro de Ouro” rendeu à Escola um bom desfile, mas não o suficiente para a conquista do campeonato. Financiada pelo Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) e do fundo de pensão da estatal, o Petros, conseguiu defender o monopólio estatal do petróleo sem "escorregar" no samba.

    Já em 1994, conseguiu recuperar o fôlego e a vontade de retornar ao grupo de elite. Apresentando o enredo “Na Rota dos Mercadores”, o carnavalesco Albeci Pereira inovou com uma nova estética para as alegorias, todas com movimentos giratórios, conferindo alto grau de visualização dos carros e vida ao desfile. Além disso, as fantasias estavam impecáveis e o samba foi bem cantado, colocando a Santa Cruz como favorita ao título. Após a apuração o inesperado sétimo lugar causou espanto e revolta por parte dos torcedores e também da imprensa carnavalesca.

    Após a tristeza no último carnaval, a Agremiação mostrou mais uma vez o porquê o grupo especial é seu verdadeiro local. Com o tema afro “Deuses e Costumes nas Terras de Santa Cruz” a comunidade santacruzense deu mais um show de canto e samba. Com um conjunto alegórico de elite e fantasias leves e bem acabadas, o ano 1995 ficou marcado por mais um belo desfile e mais uma grande decepção, não passando da quinta posição.

    Passados dois desfiles de julgamentos duvidosos, em 1996 a incansável comunidade e diretoria prepararam mais uma grande exibição. O enredo “Ribalta - Luz, Sonho e Ilusão” proporcionou uma das melhores obras da Escola, que mais uma vez encantou o público no “chão” e na plástica. Desta vez finalmente chegava a hora do Acadêmicos de Santa Cruz retornar ao grupo de elite.

    Apesar da felicidade em voltar ao Grupo Especial, a Santa Cruz não contou com muitos recursos para desenvolver o enredo “Não se Vive sem Bandeira”. Em um ano em que quatro agremiações eram rebaixadas, a Escola mais uma vez não conseguiu se manter, apesar do samba que empolgou boa parte das arquibancadas e do caprichado trabalho de barracão. A escola acabou perdendo um ponto em dispersão, por não ter retirado seus carros no tempo estabelecido.

    Com um tema tido como polêmico pela mídia especializada, a Santa Cruz veio em 1998 “mordida” pelo rebaixamento e disposta a mostrar que a bela homenagem feita à Cazuza com o enredo “O Exagerado Cazuza nas Terras de Santa Cruz” poderia render um belo carnaval. E não foi diferente. O abre-alas representou um trem para as estrelas. A ala de baianas foi inovadora ao representar as empregadas domésticas, vestidas de negro. A Santa Cruz empolgou principalmente com a passagem do Barão Vermelho no carro Rock in Rio. Mesmo não obtendo a ascensão com a terceira colocação, o ano de 1998 ficaria marcado com mais um memorável desfile.

    Os anos de 1999 e 2000 não foram os melhores que a Escola já teve. Com problemas financeiros já conhecidos por todos os que vivem a realidade dos grupos de acesso, a Santa Cruz não conseguiu manter o alto nível de carnavais passados. No entanto não deixou de lado a competência e a galhardia de como se apresentar na Marquês de Sapucaí. Em 1999 com “Abraham Medina em Noite de Gala” obteve uma honrosa quarta colocação e em 2000 com “Brasil, Do Extrativismo à Reciclagem, 500 anos de Riqueza” ficou com a sexta colocação.

  • Anos 2000

    No carnaval de 2001 a Santa Cruz prestou uma bela homenagem em vida ao grande ator e compositor Mário Lago. O carnavalesco Fernando Alvarez soube preparar um desfile digno com pouca verba financeira. Orientado pelos médicos, o homenageado não desfilou. O samba e a força da comunidade garantiram um ótimo desempenho.

    O carnaval de 2002 foi marcado pela chuva. Porém a Santa Cruz contou com a sorte e não se "molhou". O enredo simples, porém versátil “Papel - Das Origens à Folia - História, Arte e Magia” contou com o bom gosto das alegorias e fantasias concebidas pelo carnavalesco Fernando Alvarez e o show de interpretação de Luizinho Andanças. A verde-e-branco candidatava-se mais uma vez a única vaga a elite do carnaval carioca. Após uma apuração confusa, devido ao erro de um jurado, a Santa Cruz sagrou-se campeã do grupo de acesso. Um título que não conquistava há 6 anos.

    No ano de 2003 a Santa Cruz teve o momento tão esperado, o retorno aos desfiles do Grupo Especial. E fez bonito, mesmo tendo apenas três meses para preparar seu desfile, devido ainda a questionamentos na justiça quanto ao resultado do último carnaval. O enredo “Do Universo Teatral à Ribalta do Carnaval” de autoria dos carnavalescos Cahê Rodrigues, Rosele Nicolau Coutinho e Munir proporcionou um desfile grandioso e luxuoso. O samba de boa qualidade e a força da comunidade mais uma vez empurraram a Santa Cruz a um desfile correto. A expectativa de permanência da verde-e-branco no grupo era enorme. Porém mais uma vez os jurados pareceram não compreender a apresentação e a rebaixaram com uma única nota dez.

    No ano seguinte, de volta ao grupo de acesso, a agremiação soube aproveitar muito bem a estrutura que havia adquirido do carnaval passado e prestou uma bela homenagem ao próprio bairro e sua importância na história do Brasil. O desfile ficaria marcado com a morte por infarto de um dos diretores na concentração, minutos antes do desfile começar. A emoção tomou conta dos componentes. O desfile, apesar de, tecnicamente perfeito não garantiu o título. A Santa Cruz ficou com o vice-campeonato e a certeza de ter feito mais um grande desfile.

    Em 2005 foi a quarta agremiação a entrar na Avenida com o tema “Rio - Conquistas e glórias de uma cidade de histórias”. Mantendo o nível dos últimos carnavais a Santa Cruz não decepcionou e com seu estilo correto e a empolgação dos componentes brigou em igualdade com outras candidatas ao título, ficando na quarta colocação.

    Em 2006 apostou novamente na temática histórica com o enredo “Liberdade, igualdade e fraternidade - Um sonho chamado França”. Contou com um patrocínio do exterior em retribuição ao evento cultural Ano do Brasil na França. Apesar das dificuldades que o grupo de acesso oferece, a Santa Cruz mostrou mais uma vez como fazer um desfile competente e emotivo.

    Almejando mudanças, a Santa Cruz contrata o carnavalesco Fran Sérgio, um dos integrantes da vitoriosa comissão de carnaval da Beija-Flor, e o experiente intérprete David do Pandeiro. Trazendo o enredo “O tempo que o tempo tem” a Escola apresentou um novo visual no desfile de 2007 e a aposta na nova estética funcionou. Com um samba alegre e leve, além de carros criativos e bem acabados, estava novamente na briga pela única vaga rumo ao grupo especial. Numa apuração apertada terminou o carnaval na terceira colocação.

    Para 2008 o time que deu certo no carnaval anterior foi mantido. No ano em que a prefeitura ofereceu um patrocínio às escolas que abordassem os duzentos anos da vinda da Família Real ao Brasil, a Santa Cruz conseguiu ainda uma ajuda do município vizinho de Itaguaí para desenvolver o enredo “Da abertura dos Portos à cidade do porto, Itaguaí - Uma história real”. Numa noite marcada por desfiles luxuosos e superando expectativas, a verde e branco não ficou para trás e trouxe um trabalho digno de campeã, disputando o título com outras fortes concorrentes. Esteve próxima à vaga durante a maior parte da apuração. Na reta final terminou na terceira colocação.

    2009, o ano do cinquentenário, foi marcado por grandes perdas na agremiação, dentre elas a da eterna primeira-dama e carnavalesca Rosele Nicolau. O desfile, devido ao atraso, começou com a luz do sol e se mostrou uma bela e colorida mensagem de preservação da natureza.
  • Anos 2010

    No ano seguinte, a Santa Cruz pisava a passarela do samba prestando uma homenagem a Rosele Nicolau com um dos seus enredos esboçados antes de vir a falecer. "Nos Passos do Compasso" foi cheio de lirismo e emoção do início ao fim, contando a história da música e da dança através dos tempos com a figura do Pierrô e da Colombina.

    No carnaval de 2011, o tema remetia aos anos 60 e foi inspirado nas ideais libertários dos jovens da época. Os hippies, o feminismo, a contracultura e tudo que lembrava a época repressora da ditadura esteve no desfile. Além, é claro, dos ícones como a minissaia e os artistas daquela época como os Beatles e Elvis Presley. Apesar da insistente chuva, o desfile passou sem maiores problemas. Porém estourou o tempo em 1 minuto no cronômetro.

    Em 2012 o homenageado era o popular radialista e locutor Antônio Carlos num enredo que abordava o surgimento do rádio e o seu principal programa, líder de audiência no Brasil, o Show do Antônio Carlos. Com a presença do homenageado e de ilustres artistas que animam as manhãs dos brasileiros, a escola fez um desfile divertido, principalmente com as passagens do samba pra lá de caricato e escrachado.

    O luxo, bom gosto e acabamento de fantasias e alegorias permearam o desfile de 2013 sobre o Ceará e a lenda do Dragão do Mar. O carnavalesco Sylvio Cunha soube costurar bem o enredo garantindo na apuração as notas máximas. O intérprete Paulinho Mocidade, de volta ao carnaval carioca, foi o grande responsável pelo sucesso do samba entre os componentes.

    Santa Cruz se inspirou na qualidade de vida dos moradores de Jundiaí pra cantar o seu samba na Sapucaí em 2014. O enredo divulgou a cultura e o modo de vida em Jundiaí, no interior paulista e também serviu de intercâmbio entre os carnavais daqui e de lá. O Circuito das Frutas e o time de futebol Paulista de Jundiaí estiveram representados no desfile.

    2015, ano em que o ator e comediante Grande Otelo completaria cem anos de nascimento, a Acadêmicos de Santa Cruz prestou uma bela homenagem ao artista na sexta-feira de carnaval. O enredo teve momentos da vida de Otelo menino, quando começou a vida artística no circo, representado no carro abre-alas. Passou pelos grandes sucessos do teatro, rádio, cinema e tv. A passagem do último carro teve a presença de familiares do artista e emocionou o público, com a representação de Grande Otelo no céu ao lado de anjos.

    Em 2016 a Santa Cruz apostou novamente em uma temática de cunho ambiental. Dessa vez com olhar mais atento ao desmatamento e a cultura das florestas. O resultado foi um desfile rico, leve e muito colorido. Problemas na evolução fizeram com que a escola encerrasse sua apresentação um minuto além do permitido ocasionando a perda de um décimo na pontuação.

    O desfile do Carnaval 2017 contou o surgimento da literatura infantil desde a África, fonte da sabedoria, passando pela era medieval até os tempos atuais exaltando Monteiro Lobato, sua obra e escritores brasileiros. Entre os destaques, a fantasia que representava o Homem de lata do conto “O Mágico de Oz” e da ala coreografada que representava a Emília do “Sítio do Pica-pau Amarelo”. Alguns percalços como a fraca iluminação nas alegorias tiraram o brilho do desfile. A evolução irregular de algumas alas tirou pontos preciosos na apuração.